Três décadas de história, identidade e ousadia colocaram o Tuatha de Danann em uma posição singular dentro da música pesada brasileira. Pioneiro do folk metal nacional, o grupo mineiro chega ao Bangers Open Air 2027 carregando uma trajetória construída sobre guitarras pesadas, melodias ancestrais, instrumentos tradicionais e uma liberdade criativa que, desde o início, se tornou sua principal assinatura. Do underground de Minas Gerais aos palcos internacionais, incluindo uma marcante passagem pelo Wacken Open Air, a banda atravessou diferentes fases, formações e caminhos musicais sem jamais abrir mão de sua personalidade.
A história começou em Varginha (MG), em meados da década de 1990, quando o grupo ainda utilizava o nome Pendragon. A ambição já era clara: criar uma música livre de fronteiras e classificações, capaz de aproximar a força do Heavy Metal das melodias, atmosferas e referências da cultura celta, folk e medieval. Em 1996, a demo "The Last Pendragon" revelou uma proposta incomum para o cenário brasileiro. Dois anos depois, "Faeryage" aprofundou esse universo e consolidou uma identidade marcada pela presença de flautas, violinos, craviolas e outros elementos que se tornariam inseparáveis da sonoridade do Tuatha. O reconhecimento abriu caminho para o primeiro contrato fonográfico e, em 1999, o grupo lançou o trabalho homônimo "Tuatha de Danann".
A projeção cresceu de forma decisiva com "Tingaralatingadun" (2001) e "The Delirium Has Just Began..." (2002), que ampliaram o alcance da banda e levaram sua música a novos públicos e mercados. Em 2004, "Trova di Danú" elevou ainda mais essa proposta, expandindo a fusão entre Rock, Heavy Metal e instrumentos pouco convencionais dentro do gênero, como violinos, craviolas, flautas, gaitas de fole e harmônicas.
A força daquele momento levou o Tuatha de Danann à sua primeira turnê internacional, realizada entre julho e agosto de 2005, com apresentações na França e na Alemanha. A jornada culminou em uma apresentação no Wacken Open Air, um dos momentos mais emblemáticos da trajetória do grupo. A participação no festival, vinculada ao Metal Battle, colocou o Tuatha em evidência no circuito internacional e consolidou seu nome entre as bandas brasileiras que conseguiram romper as fronteiras do underground nacional.
Depois do lançamento do DVD "Acoustic Live", em 2009, o Tuatha de Danann entrou em um período de paralisação até retornar aos palcos em 2013, abrindo um novo capítulo de sua trajetória. "Dawn of a New Sun" (2015) marcou o início dessa fase renovada, seguido por novos trabalhos que reafirmaram a vitalidade criativa do grupo. A banda também revisitou seu repertório em novas gravações e lançou "The Tribes of Witching Souls" (2019), "In Nomine Éireann" (2020), uma homenagem à música e à cultura irlandesa, e "The Nameless Cry" (2023), demonstrando que o espírito inquieto que impulsionou o Tuatha de Danann desde os anos 1990 permanece intacto.
No Bangers Open Air 2027, o Tuatha de Danann levará ao público três décadas de história e uma sonoridade que ajudou a redefinir os caminhos do folk metal brasileiro. Entre magia, tradição, experimentação e peso, o grupo sobe ao palco reafirmando sua condição de pioneiro e mostrando por que, após 30 anos, continua sendo um dos nomes mais criativos, respeitados e singulares da música pesada brasileira.